Arquivo de julho, 2015

Leva-me…

Publicado: julho 21, 2015 em Poesia
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Leva-me…

Por alguns minutos, parei.
Por um momento me permiti,
Me permiti ver o que a minha condição humana luta tanto para que eu não veja.
Lembrei, então senti a dor.

Uma breve oração, mas não tão breve quanto a minha vida…
Me trouxe…
Me levou…
Me tirou de onde estava…

Ah Deus, ah Pai!
Leva-me a um lugar onde a minha mente não se confunda,
Leva-me a um lugar onde minha alma encontre um pasto verde e águas tranquilas,
Leva-me a um lugar onde eu encontre pão para me manter forte,
Leva-me a um lugar onde minhas correntes sejam quebradas,
Leva-me a um lugar onde meus pecados sejam confrontados,
Leva-me a um lugar onde minhas mãos fiquem limpas e prontas, prontas para trabalhar,
Leva-me a um lugar onde meu coração não desfaleça, e meus sentidos não me enganem,
Leva-me a um lugar onde eu possa vê-lo…

Leva-me…
Leva-me a um lugar… Se é que existe um lugar…
Mas, leva-me ao lugar onde eu devo estar.

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Um Quase Poema de um Ser Sem Contexto

Em meio a tantos textos ele se percebeu sem contexto.
Quando conseguia ler ele compreendia mais sobre si e quando ele não conseguia ler ele conscientizava-se de si, refletia sobre si e estranhamente descobria muito mais de si.

Diante dos muitos textos ele se sentiu nos corredores de um labirinto, virando pra direita, pra esquerda, subindo e descendo degraus parecia não saber onde estava, pois até as portas que foram encontradas para o desconhecido levava.

Seu contexto começou a gritar; lhe afirmando que distante do texto ditado ele estava, pois suas vogais, suas consoantes, suas silabas, suas palavras, suas orações nada se encaixava, nada condizia, contudo em meio a tudo isso mais de si mesmo ele desvendava.

Até que então um dia se espantou quando resolveu analisar a fundo o texto que o rodeava e que não tinha conseguido SER parte, então levado a pensar e divagando pela memória identificou que em toda sua história ele nunca tinha conseguido SER parte de um texto, pois seu contexto era outro, seu contexto ia além do posto, sem margens para o limitar era somente pelo diferente que conseguia andar, logo reconheceu SER sem contexto, seu SER não tinha contexto…